Cálculo final do indicador de segurança hídrica

Veja como funciona o calculo de segurança hídrica.

Delimitação de área de contribuição dos mananciais

A etapa inicial do Sistema de Segurança Hídrica foi delimitar o recorte geográfico do fenômeno avaliado, ou seja, a definição dos limites externos da área de contribuição de cada manancial de abastecimento público de Minas Gerais. Para tanto, foram utilizadas as camadas de informação geográfica referentes às ottobacias e às outorgas superficiais disponíveis na IDE-Sisema. O resultado dessa etapa culminou na delimitação de todas as áreas de contribuição dos mananciais de abastecimento público em Minas Gerais.

Entenda os estressores

A etapa inicial do Sistema de Segurança Hídrica prevê a delimitação do recorte geográfico do fenômeno avaliado, ou seja, a definição dos limites externos de cada manancial de abastecimento público de Minas Gerais.

Cálculo do Stress Hídrico

Mapa de demonstração 01

O primeiro estressor do Sistema de Segurança Hídrica calculado se refere à pressão hídrica exercida pelos usuários outorgados em cada área de contribuição, face às características hidrológicas nativas da bacia. Em outras palavras, avalia o quanto a vazão de referência legal (Q7,10) do trecho mais exutório do manancial está pressionada pelo somatório das vazões captadas por usuários de água à montante. Para implementá-la, foram utilizadas as seguintes camadas de informação geográfica: áreas de contribuição dos mananciais delimitadas no tópico anterior, outorgas estaduais e federais, usos insignificantes superficiais e dados de vazão da Q7,10 da base hidrográfica do Estudo de Regionalização de Vazão (UFV & IGAM, 2012), sendo todas as camadas disponibilizadas pela IDE-Sisema.

Neste estressor, há uma especificidade imposta pela Portaria IGAM nº 48/2019, que estabelece algumas regiões do Estado onde o valor máximo outorgável em um trecho hídrico poderá ser de 30% ou 50% da Q7,10, conforme figura 1. Desse modo, antes de implementadas as rotinas para cálculo do estressor descritas a seguir, foi pré-configurada no Sistema uma camada de referência contendo a informação de limitação de vazão máxima outorgável.

Os resultados dos estressores sobre cada manancial de abastecimento público de Minas Gerais variam entre 0% e 100%, que, por sua vez, foram reclassificados em três classes recebendo diferentes pesos, conforme o seu grau de pressão hídrica: vazão outorgável comprometida < 50% (valor 1); vazão outorgável comprometida ≥ 50% e ≤ 100% (valor 3); vazão outorgável comprometida > 100% (valor 7).

Avaliação da Cobertura Natural

Mapa de demonstração 02

Este estressor avalia as condições de uso e cobertura da terra em cada manancial, de modo a mensurar o nível de alteração das características naturais das bacias pela ação humana e seu impacto indireto na manutenção do regime hidrológico e na “produção de água” para usos múltiplos. É o único estressor que utiliza camada de informação geográfica proveniente de fonte externa ao Sisema para seu cálculo e implementação, tendo sido definidas as coleções do MapBiomas. Essa camada pode ser consumida via web serviço próprio da instituição ou baixada e pré-carregada em banco para emprego no Sistema de Segurança Hídrica.

Os resultados desse estressor expressam, em percentual, a condição de antropização das áreas de contribuição dos mananciais, sendo que quanto maior o valor obtido, maior será a participação do estressor na configuração de insegurança hídrica do manancial. Os resultados percentuais obtidos foram reclassificados da seguinte forma: total de áreas antropizadas < 50% (valor 1); total de áreas antropizadas ≥ 50% e ≤ 70% (valor 3); total de áreas antropizadas > 70% (valor 5).

Avaliação do Índice de Qualidade da Água

Este estressor se baseia nos resultados anuais de monitoramento da qualidade realizado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) nos cursos d’água de Minas Gerais. É reflexo dos parâmetros biológicos e físico-químicos monitorados pela rede de estações fluviométricas estaduais e trazem contribuições significativas à segurança hídrica do manancial sobre a ótica da qualidade. Para sua implementação, foi utilizada a localização do ponto de outorga do manancial e os resultados anuais mais recentes do Índice de Qualidade da Água (IQA), cujo valor foi expandido para a área da menor ottobacia onde há monitoramento do IQA. Onde houve interseção entre a localização ponto de outorga do manancial e a área estabelecida para o dado de IQA, foi extraído o seu valor.

O resultado do estressor indica um valor de 0 a 100 associado à qualidade hídrica de cada manancial, sendo classificado da seguinte forma: 70 < IQA ≤ 100 (valor 1); 50 < IQA ≤ 70 (valor 3); IQA ≤ 50 (valor 5). Ou seja, quanto mais elevado, menor será sua participação na indicação de estados de atenção ou alerta quanto à segurança hídrica.

Avaliação da Anomalia Pluviométrica

O último estressor que compõe o indicador de segurança hídrica é a anomalia pluviométrica anual de cada manancial em relação às Normais Climatológicas para a região, informação que é gerenciada pelo IGAM e disponibilizada na plataforma IDE-Sisema. Tem importante contribuição no Sistema por integrar aspectos de ordem climática, susceptíveis a variabilidades naturais, que impactam diretamente na disponibilidade de água em quantidade.

Os resultados informam, em unidade de medida milimétrica, o desvio positivo ou negativo da precipitação média em cada manancial em relação às Normais Climatológicas, sendo reclassificados da seguinte forma: anomalias positivas ou negativas até -5% (1); anomalias ≤ -5% e ≥ -20% (3); anomalias < -20% (5).

Vale destacar que a escala cartográfica da camada de anomalia pluviométrica é generalista e, por essa razão, pode-se incorrer em situações em que um determinado manancial esteja totalmente inserido em isolinhas de valores semelhantes.

Cálculo final do indicador de segurança hídrica

Conforme definido pela equipe técnica do Sisema e disposto em Termo de Referência, o resultado final do indicador de segurança hídrica é oriundo das condições observadas em cada manancial e sua área de contribuição, a partir de pontuações atribuídas aos quatro estressores que, quando somadas, permitem o enquadramento dos mananciais nos estados de normalidade, atenção e alerta referentes a sua segurança hídrica.